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Iniciativa Moçambicana de Lanche Escolar
Doar
Seis raparigas juntas à volta de um manual de matemática aberto, uma a apontar para a página, várias a sorrir

Histórias

Uma criança de cada vez.

Por trás de cada número deste site há uma criança, e uma cozinheira, um professor, um agricultor ou um mentor que tornou possível um dia de escola. Estas são algumas dessas pessoas, nas suas próprias palavras quando as temos.

As histórias

Uma família, com um menino, uma criança pequena, duas mulheres e um idoso, de pé diante de uma casa de pau e barro
O Jose e a família em casa.

Uma refeição com que se pode contar.

Jose Ubisse, Escola Primária de Cumba.

O Jose recebe as nossas refeições escolares desde que entrou na 1.ª classe na Escola Primária de Cumba, em 2020. Embora as escolas tenham fechado pouco depois por causa da pandemia de Covid, continuou matriculado e recebeu as nossas cestas básicas até as escolas reabrirem e as refeições voltarem a ser servidas.

Vive com os pais e dois irmãos. O pai do Jose já é bastante idoso, por isso é a mãe quem sustenta a família. É carvoeira tradicional: vai todos os dias ao mato cortar árvores e queimá-las lentamente em fornos de terra para fazer carvão. É um sustento precário, e manter a família tem sido difícil. O pouco dinheiro que ganham vai para comprar comida, mas não chega para o material escolar.

Os pais do Jose dizem que a IMOLE é um bom programa e que ajuda muito a comunidade. O almoço escolar não só incentiva os alunos a ir à escola todos os dias, como alivia os pais, que sabem que os filhos terão pelo menos uma boa refeição por dia. A mãe do Jose notou que, antes do programa de almoço escolar, os alunos não iam à escola com tanta frequência e faltavam muitas vezes às aulas. Mas agora a situação mudou.

A Lorena, de blusa branca, entre o irmão e a irmã mais novos, a sorrir diante de uma parede de adobe
A Lorena (ao centro) com os irmãos em casa.

Dos almoços escolares ao Avança+.

Lorena Baloi, Cumba.

A Lorena é da aldeia de Cumba. Vai à escola desde que o nosso programa de almoço escolar começou, em 2016, quando estava na primeira classe na Escola Primária de Cumba.

É ela quem cuida dos dois irmãos mais novos: o pai faleceu, e a mãe trabalha na África do Sul e só volta no Natal. O tio Arlindo e o avô Jose também cuidam deles, mas nem sempre têm muito para lhes dar. Para a Lorena, as refeições escolares têm sido essenciais. Sem elas, provavelmente teria deixado a escola para procurar trabalho e sustentar os irmãos. Às vezes a Lorena e os irmãos deitam-se sem jantar e dependem sobretudo do almoço escolar.

A Lorena diz que a IMOLE é um bom programa e que ajuda muito a sua comunidade. A refeição preferida na escola é arroz com feijão, e gosta de estudar com os amigos. Em 2025, a Lorena entrou no Avança+ e apanha todos os dias o autocarro escolar para a Escola Secundária de Manjangue. Está no caminho certo para terminar em 2028!

Uma menina de t-shirt cor de laranja e saia florida, de pé encostada a uma parede de barro, a olhar para a câmara
A Catarina.

Acabaram-se os estômagos vazios.

Catarina, Escolinha Comunitária de Machua.

A Catarina começou a frequentar a nossa escolinha na aldeia de Machua em 2024. Antes, era uma criança que adoecia com frequência, e os pais nem sempre tinham meios para lhe dar o apoio de que precisava. Os pais saíam de manhã para as machambas e voltavam por volta das 5 ou 6 da tarde. A irmã mais velha ia à escola de manhã e depois tinha de apanhar lenha antes de poder cozinhar.

"Muitas vezes, a Catarina só conseguia comer alguma coisa quente por volta das 2 da tarde", conta a educadora. "E a Catarina não era a única. Havia outras crianças que ficavam sozinhas em casa, brincavam com os amigos e enfrentavam o dia de estômago vazio."

Agora a Catarina vem à escolinha. "Hoje, as crianças chegam e encontram uma coisa quente para comer, como papas. Agora podem brincar, estudar e participar nas atividades de barriga cheia."

Florência Alexandre Valoi, sorridente, de bata escolar verde-lima numa varanda, com as mãos nos bolsos
Florência Alexandre Valoi.

Voltou a Candiza. O autocarro levou-a até à 12.ª classe.

A Florência Alexandre Valoi cresceu em Candiza, uma das três aldeias onde servimos os primeiros almoços em 2016.

Florência Alexandre Valoi nasceu na comunidade de Candiza, onde não existem escolas secundárias. Para que pudesse prosseguir os estudos, o seu pai, comerciante de carvão, procurou uma forma de a levar para Maputo, onde ficou hospedada em casa de uma conhecida dele.

Na capital, Florência frequentou a 9.ª e a 10.ª classes, mas enfrentou grandes dificuldades na casa que a acolhia. Por não pertencer à família, nem sempre era bem recebida e passou por várias situações de humilhação. Como estudava no período nocturno, muitas vezes encontrava as portas trancadas ao regressar das aulas, sendo obrigada a dormir fora de casa.

Perante essas dificuldades, decidiu regressar a Candiza, sem esperança de continuar a estudar. Foi nesse período que o Programa Avança+, da IMOLE, iniciou o serviço de transporte escolar, do qual Florência passou a beneficiar.

Com esse apoio, conseguiu concluir a 12.ª classe. Actualmente, é voluntária na Escolinha Comunitária de Candiza e mantém vivo o sonho de prosseguir os estudos. Florência expressa profunda gratidão à IMOLE, reconhecendo que o apoio recebido foi fundamental para concluir o ensino secundário.

Misca Sérgio Ubisse, com um leve sorriso, de camisola de futebol vermelha e preta num quintal de areia entre duas árvores
Misca Sérgio Ubisse.

Poucas crianças em Candiza concluíam a 5.ª classe. A Misca chegou ao ensino superior.

A Misca Sérgio Ubisse comeu os nossos almoços escolares desde a 4.ª classe e foi das primeiras a andar no autocarro do Avança+.

Misca Sérgio Ubisse nasceu na comunidade de Candiza, onde, segundo conta, poucas crianças concluíam a 5.ª classe. Durante algum tempo, receou que esse também fosse o seu destino. Apesar das dificuldades, sonhava em ir mais longe e continuar a estudar.

Desde a 4.ª classe, beneficiou do Programa de Alimentação Escolar. Ao longo do seu percurso, teve de mudar de escola várias vezes, saindo de Candiza para Ponguiné, onde continuou a receber esse apoio.

Ao ingressar na 8.ª classe, passou a integrar o Programa Educação para a Rapariga, que mais tarde deu lugar ao Programa Avança+. Foi também uma das primeiras beneficiárias do transporte escolar, um apoio que reforçou a sua esperança e determinação em prosseguir os estudos.

Misca concluiu o ensino secundário com sucesso e, com a ajuda do programa, ingressou no Instituto Superior Politécnico de Gaza (ISPG), onde frequenta o curso de Administração Pública. Actualmente, continua a participar nas actividades do Avança+ e reconhece que essa experiência transformou a sua forma de pensar e a ajudou a tomar decisões mais conscientes. Sempre que necessita, conta também com o apoio dos mentores nas disciplinas de Inglês e Matemática.

A sua história é uma mensagem de incentivo às outras raparigas do programa, a quem apela que encarem os estudos com compromisso e nunca deixem de sonhar.

Samira Mandlate, sorridente, com a mão na anca, de T-shirt branca do Avança+ e calças de ganga, em terra vermelha diante de uma casa pequena
Samira Mandlate.

O autocarro trouxe a Samira para casa. Os mentores mantiveram-na na escola.

A Samira Mandlate, de Chate, entrou no Avança+ em 2023, na 10.ª classe.

Samira Mandlate nasceu na comunidade de Chate e ingressou no Programa Avança+ em 2023, quando frequentava a 10.ª classe. Actualmente, está na 12.ª classe.

Após concluir a 7.ª classe, teve de se mudar para casa da tia, em Chicanhanine, no distrito de Guijá, para dar continuidade aos estudos, pois da sua comunidade até à escola mais próxima é muito distante e oferece perigos durante o trajecto, e não é sustentável a ida diária; aliado a isso, muitos pais não dispõem de condições financeiras para custear o transporte, que também não é acessível devido à degradação das estradas. Com o início do transporte escolar do Avança+, pôde regressar a casa e voltar a viver com os pais, mantendo a possibilidade de frequentar a escola.

Recentemente, Samira tornou-se mãe. Perante essa nova etapa, os mentores incentivaram-na a prosseguir os estudos, reforçando que uma gravidez não precisa de resultar na interrupção do seu percurso escolar. Com o apoio do programa, continua a estudar e, quando participa em actividades extracurriculares, leva consigo a filha.

Samira aconselha as outras raparigas do Avança+ a levarem a sério os ensinamentos dos mentores e expressa gratidão pelo incentivo que tem recebido para continuar a sua formação.